Como muitos outros educadores, Nicos Paphitis se apaixonou pelo OneNote depois de usá-lo em sua aula.

Atraído pelas infinitas possibilidades e acesso instantâneo ao seu trabalho, e o de seus alunos, ele começou simplesmente tomando notas e compartilhando conteúdo com sua turma. Eventualmente, criava planos de aula e os usava como um simples diário, para que os alunos soubessem o que tinham aprendido em cada lição.

 

Logo percebeu que colocar o plano de aula e os termos-chave no OneNote antes da aula ajudava seus alunos de ESL (Inglês como Segunda Língua) e SEN (Necessidades Educativas Especiais) a se prepararem com antecedência e obter um aumento de confiança nas aulas. Ver esses alunos se expressando e se abrindo em sala de aula, com a ajuda da tecnologia, despertou seu desejo de encontrar novas e criativas maneiras de usar o OneNote.

O Twitter foi seu melhor recurso para conseguir ajuda. Ele twittou suas perguntas ou problemas com a hashtag #OneNote e recebeu auxílio e conselhos de todo o mundo, quase que instantaneamente. “Eu não tenho um dispositivo com uma caneta, então eu estava limitado ao que eu poderia fazer com o OneNote, mas isso não me desencorajou nem um pouco. À medida que o OneNote foi expandido com novos recursos, como links para pais serem administradores e o plug-in OneNote Class Notebook, eu me tornei uma criança em um playground, ansiosa para brincar com todos os novos brinquedos”, comenta.

Uma de suas atividades favoritas foi a “Escape the Classroom” (Fuja da sala de aula), uma atividade divertida, onde os alunos trabalham em um exercício (ou série de exercícios, na sua versão) para obter respostas. Uma combinação dessas respostas gera a senha para a próxima seção, que permanece bloqueada de outra forma. Os alunos repetem o processo até desbloquearem a seção final, que então os parabeniza pelo sucesso. Os estudantes ficaram apaixonados.

A aula foi dinâmica e extremamente competitiva, com a maioria dos alunos se tornando totalmente imersos em seu aprendizado, querendo ganhar e se tornarem os primeiros a escapar da sala de aula. “Eu digo ‘a maioria’, porque a realidade era que os alunos de ESL e SEN inicialmente começavam o exercício com entusiasmo – a primeira senha era gerada com pouco esforço – mas logo seria dominada pela insegurança e um sentimento de ‘não posso fazer’. Eles veem outros estudantes progredindo através das seções e, com o passar do tempo, a lacuna cresce e aumenta sua ansiedade e insegurança”.

Nicos sabe como é difícil para seus alunos especiais convencer os outros de que não são tão limitados e que podem contribuir se tiverem um pouco mais de tempo para lerem a pergunta. Quando criança ele não sabia que tinha dislexia – naquela época, os alunos com dislexia eram caracterizados erroneamente como “estúpidos” ou “preguiçosos”, então ele sabe como é difícil ser destacado porque você não sabe ler tão bem quanto outros, ou não pode soletrar, ou sua caligrafia é ruim. Ele afirma também que é um solucionador de problemas e perfeccionista, então esteve determinado a encontrar uma maneira de usar o OneNote como um meio de resolver os problemas que enfrentaram como classe.

 

 

As questões que o professor precisou superar superar foram:

  • Como criar um caminho de aprendizagem diferenciado, onde nem todos os alunos seguiriam a mesma sequência de perguntas?
  • Como transformar o aprendizado de cada aluno de forma individualizada?
  • Como tirar a competitividade sem perder a diversão, para que os alunos se concentrem na aprendizagem, em vez de vencer?
  • Mais importante ainda, como fazer com que todos os alunos se sintam iguais, ao mesmo tempo que as habilidades de cada um sejam desafiadas, sem fazer com que ninguém se sinta inferior? Certificando-se de que a solução foi fácil o suficiente para qualquer educador replicar, sem precisar de nenhum conhecimento especial, além de como usar o OneNote.

 

O desafio foi definido e levou horas de reflexão, brainstorming e muitas tentativas fracassadas, mas não foi assim que aconteceu. Após listar os problemas, ele revisava sua lista toda vez que tinha uma nova ideia. Se a solução não resolvesse todos os problemas listados, ele a refazia.

Alguns dias depois, enquanto estava sentado no trânsito, lhe ocorreu usar os links de página. “Links de páginas”? É isso? ”Sim, foi isso. Concentrando-se em um tópico em que durante todo o ano ele agrupava as perguntas em grupos, as categorizando em: Fácil, Médio, Difícil e Superdotado/Talentoso. “Eu me assegurei de que se eu tivesse pelo menos cinco inscrições em cada categoria (exceto as Superdotado / Talentoso), colocava cada pergunta em uma página separada em um Bloco de anotações do OneNote e dei a cada página um nome que não tinha significado para ninguém, exceto para mim”.

 

 

Sua área de tópico, eram funções SE no Excel, então ele nomeou as páginas de elementos químicos – já que elas não tinham nada a ver com o Excel. Em uma tabela, ele tinha uma lista de todos os nomes das páginas e o nível de dificuldade da pergunta em cada página.

Assim, ele criou uma imagem de semáforo, com luzes vermelha, amarela e verde (acrescentando expressões faciais, dando aos alunos uma diversão extra). As luzes coloridas eram imagens separadas, o que permitiu ao professor adicionar links de páginas separados para cada cor. O estágio final era criar um mapa que indicasse qual página (questão) o aluno iria seguir, dependendo se eles clicaram no vermelho, amarelo ou verde. Para ele, essa deve ter sido a parte mais difícil, pois cada pergunta precisava de três links de página (um para cada luz) e a página de destino teria que corresponder à cor escolhida pelo aluno. E é aí que o aprendizado adaptativo começou a tomar forma.

Na versão final, todos os alunos começam no mesmo exercício. Depois de concluí-lo, clicam na luz que melhor representa o sentimento deles sobre como foi.

  • Vermelho: Achei difícil / precisei de muita ajuda para completar
  • amarelo: Foi um desafio / eu precisei de uma ajudinha
  • Verde: Isso foi fácil / eu preciso de algo mais desafiador

 

 

Desse modo, o aluno é direcionado para a próxima pergunta, dependendo de qual luz eles clicam. Se eles tiverem uma boa compreensão da questão e souberem exatamente o que estão fazendo, terão perguntas mais complexas e evitarão ficar entediados no processo. Depois de ser direcionado para uma questão mais desafiadora, eles escolhem novamente um semáforo para determinar a próxima pergunta. Se um aluno achar que uma pergunta é muito difícil, ele clicará em Vermelho, o que leva a outra pergunta de dificuldade semelhante. Se um aluno clicar no vermelho duas vezes seguidas, ele será levado a uma página de ajuda que pode conter algumas informações na forma de um Sway, apresentação, vídeo, tinta digital, URL, recurso de aprendizado ou outro conteúdo que Nicos pôde incorporar no OneNote.

 

 

“O processo é o mesmo para todas as perguntas. E lembre-se dos nomes aleatórios das páginas? A parte maravilhosa dessa atividade é que, como as páginas são nomeadas aleatoriamente, nenhum aluno sabe em que nível está trabalhando. Alunos mais fracos não sabem quantas perguntas outros alunos responderam, pois, as páginas são nomeadas aleatoriamente e misturadas para mascarar evidências de progressão”, diz. Para ele, os alunos mais fortes não podem se tornar competitivos, já que não sabem o que os nomes das páginas significam ou qual é a posição da página. Como professor, no entanto, Nicos sabe exatamente em que nível cada aluno está, já que conta com sua tabela que descreve os nomes das páginas e qual o nível de dificuldade da pergunta, em cada página.

O professor ainda não teve tempo para criar mais exercícios como esse e testar com outras turmas, mas o que criou em funções SE no Excel foi utilizado nas suas aulas do 7º ao 11º ano com 100% de sucesso. O trabalho manteve uma gama de alunos totalmente engajados e trabalhando durante vários períodos de aula, sem que ninguém se sentisse inferior ou incontestado e Nicos acredita que esse é o caminho a seguir.

Mas, o que Nicos fará a seguir? Segundo ele, seria ótimo ter a capacidade de classificar as páginas no OneNote com níveis de dificuldade e depois um mecanismo de inteligência artificial decidir qual pergunta dar em seguida, por meio da resposta do usuário ou até mesmo através do reconhecimento facial. Por enquanto, porém, seu trabalho está disponível para qualquer pessoa baixar e usar.  As páginas estão todas configuradas, e os educadores só precisam alterar as perguntas das páginas para que elas sejam adaptadas ao assunto.